6 de jan. de 2016

Foram poucas fotos porque o tempo pedia mais ver, que registrar.
Foram poucos dias porque a vontade era de ficar.
Guardei todos os sorrisos e foram milhares:
até de quem não se conhece, num lugar desses, se recebe
Trouxe todos os abraços dados, colhidos, sentidos
e até os que se dá sentado mesmo, na preguiça de levantar
Os presentes em forma de abrigo,
os cuidados em forma de remédio ou de veneno anti-monotonia
As bailadas rodopiadas e leves,
os véus de noite e as brumas serelepes
Risadas, quantas
da bochecha doer e rir colorido ainda mais, mesmo já satisfeita
Tantas trocas de carinho
ajuda, doação,
sensação de pertencimento?
só se for a de reconhecimento
do todos um que somos
do mais um que soma
da sapiência de ser o todo
Foram muitos amores,
reencontrados, criados, em desenvolvimento...
amor de mato, amor ao mato, no mato...

Foi tudo muito, uns poucos nadas (nenhuma tristeza, nenhum arrependimento),
assim como a saudade e a vontade de multiplicar cada pedacinho de tempo
cada conversa batida na varanda, todos os bons minutos, nessa nossa vida séria.

Obrigada a todos pela convivência, experiência e os mergulhos no profundo

de Aldeia Velha!

Carola Bitencourt
06/01/2016

15 de abr. de 2015

Ser, estar, poder, evolução, e isso
Tudo aquilo que dizer não faz
Toda junção de linha atrás
Desse trazer sem saco
Dessa sacassão saturada
Osso de buco
Brucutu sarcástico
Xucro fosso estratégico
Crosta de sacro crente
Rente ao parente desligado
Força de parada na mão rasgada
Caralho de quatro
Asa de malandro cortada
Zarabatana de serpente alada
E mais... ... ...
Quem souber a soma
Responda à ré do noves fora:
Ferro
E cante
Antes que seja jogado ao brejo o sagrado
E sua ciência se solte pra sorte de quem boceja.

Carola Bitencourt
14/04/15

26 de jan. de 2015

Meu nome é Carolina.
Carol é um apelido prático e pálido.
Meu avô me chamava de Calú.
E eu me auto intitulei Carola, em homenagem a esse mesmo avô que chamavam Mané Carola, o dono da vendinha que não vendia doce pra criança, e mesmo sem fazer matemática mantinha o costume de dá-los aos menores sorrisos mais abertos todo dia.
Meu nome, eu não me dei, com toda a pompa que Chico criou pra ele em 1967, anos antes de mim – fico querendo crer que minha mãe se inspirou na música dele pra me dar designação, e ao invés de herdar a voz dela, eu herdei os olhos tristes da música dele – ainda considero comum, sem incômodo, mas comum como o costume de ver tantas iguais que nada parecem comigo.
Ainda hoje escuto de cada época da minha vida um chamar diferente. Fui passando de um apelido pra outro, trotando na definição de quem era, quase tratando cada etapa de identidade com um batismo diferente, e posso definir de que era veio aquele amigo por como ele me chama.
Gosto de quem se deixou influenciar pelo meu pedido, quase implorador, de me chamar por como quero, e não por como é mais fácil. Gosto ainda dos que não cedem ao meu desejo, fazem-me lembrar de que nada na vida é ágil, ou acontece por impulso, mas ficam num lugar secreto em que me parece, ainda não me conhecem, e por isso não sabem onde fica.
Depois de tantas músicas, e histórias, sobre Carolinas, Carols, Carolas e afins, caminhamos por passo árduo, pra um lugar que em mim, não tem fim.
Poderia ser Calú, como ainda sou pros mais carinhosos da família, poderia me registrar como Carola, poderia reinventar meu nome de trás pra frente, tal qual criança falando outra língua com a boca cheia de doce. Poderia criar um dicionário, uma árvore alcunhológica só minha. Poderia pedir encarecidamente que minha identidade se faça clara aos olhos alheios...
Mas, pra isso, não preciso mudar de nome. Basta ser chamada.

Carola Bitencourt
27/01/2015.





20 de ago. de 2014

sempre rola uma azia
outras vezes zumbe no ouvido
disritmia
artista resolve ou retranca
marca riscos sem distância

sempre rola uns óio
rezando expectativa
descendo pela pele feito jeito
de dizer saudade
ardendo meio calado
alado de imensidão mansa

sempre rola riso solto
só riso mesmo
envolto em sal de lágrima
gritando a anja besta fera
rasgada nessa sede
de ceder a crendice

sempre rola umas emboladas
dilatadas em dias de lua
das que levam a vela
veloz
sem perder brio de chama

quase rola
o sempre
rola sempre,
mas só desenrola
quando se explora sem pensar

Carola Bitencourt
21/08/2014

23 de jun. de 2014

Pose não é sinônimo de posse
Fosso não é o sinônimo de fossa
Porte não é  mesmo que porto
Toda palavra tem seu feminino no outro
Com ou sem eufemismo
Estamos todos no intimo do nosso
Cada estrofe fere o verso
Do jeito que a rima
Recolhe a via expressa
Linhas subvertidas intraveem
Vida vide bula venosa
Veneno da mesa exposta
Na aorta da porta aberta
Flores espertas na horta
À espera da primavera.


Carola Bitencourt 
Toque fiinalístico de Tchelo Mello
23/06/2014

1 de mai. de 2014

Te vi.
Nos falamos
os olhos souberam,
a boca não veio,
a vista no meio
o barulho da praça
ficamos sem inteiros
enterrados no seio a parte
entre arte, soneto
aspas e fonética
Ética educada e onírica
rica em todo texto reticente
e poética.
Nos vimos, nos falamos
e era você
dentro de um qualquer
sem existir.

Carola Bitencourt
29/04/2014

25 de mar. de 2014

Minto tão pouco
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.

Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.

Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.

Carola Bitencourt
25/03/2014