19 de nov. de 2010

Minha falta de memória
também tem lapsos.
Digo de cór os ditados
na ponta do lápis
poderes didáticos
córo com cores rubras
os olhos pintados a óleo
dos quadros púrpuras de Leonardo.
Disfarso os cadernos simétricos
escrevendo anônima
gargalhada cínica
Retiro dos quadrados mágicos
reações químicas
quase cômicas
entre espelhos e laços...

Carola Bitencourt
19/11/2010

18 de out. de 2010

Acho razoável que a maioria dos homens tenha a sensação irrevogável de que a felicidade está em encontrar criatura assaz auto-suficiente para aceitar de bom grado um relacionamento aberto, ou sangue-de-barata o bastante para o casamento poligâmico e ainda assim, feliz. Cada um escolhe o que melhor lhe cabe, dentro do leque de opções disponível. Se a utopia de amor não possessivo lhe serve, aceito sua convicção sem taxá-lo de louco, e ainda me permito, sem pré conceituar, o poder da dúvida.
Respeito, mesmo que tenha que fazer um grande esforço pra isso, a posição alheia frente aos assuntos mais variados. Faço o possível pra não incisar da corrente fluvial dos meus comensais aqueles que por acaso tem opiniões diferentes das minhas. Entendo que isso contribui para a sociabilidade geral, ou do contrário, provavelmente não me sobraria pessoa, já que não conheço um ser se quer com quem eu concorde em todas as premissas. Esperava com isso, que também fosse respeitada a minha opinião.
Aderir à postura leviana da contemporaneidade é realmente a maneira mais fácil de viver em uma sociedade promíscua e fadada ao desespero. Não sou ortodoxa, longe de mim retroagir anos de luta pela igualdade social, que continua apenas vislumbrando uma posição favorável e que abranja o coletivo. Sempre fui a favor da liberdade individual, mesmo que isso molde de maneira equivocada a imagem que eu gostaria de ver.
Não me interesso por esse mar de desejo impulsivo, frenético tanto quanto breve, do ser de ninguém e de todo mundo ao mesmo tempo. Acho miserável a existência do ser sozinho e que se satisfaz com o ir e vir de corpos, no intuito de manter em dia os desejos, como necessidade biológica puramente dita. Tratar da companhia alheia como fonte de preenchimento do próprio tempo de maneira tão egoísta me causa náusea. E ainda acreditar que isso é gozar de uma liberdade plena, me faz perceber que conhecer cultura não é sinônimo de inteligência. Se a este não sobressai o vazio tanto da cama no dia seguinte, quanto da alma durante a vida, só me basta concluir que fomos feitos de matéria diferente.
Valorizo o arrepio da pele não só pelo toque, mas pela consciência de cumplicidade. As pessoas apaixonadas são as mais bonitas, irradiam o que sentem, e se tornam mais interessantes do que as solitárias. O gozo da “pegação”, jamais se comparará àquele em que o corpo está sintonizado com o coração. Liberdade plena é sentir-se parte de um todo sem que isso pese mais que um sorriso. Amar é o mais barato e nutricional alimento que o eixo de uma personalidade pode alcançar. A completude individual é básica, não está sob questão. O ápice está em acrescentá-la a de outra pessoa.
Chame-me de romântica, acrescente a este alguns outros adjetivos que você julga minúsculos, menospreze meu ponto de vista, encare como um devaneio. Não me importo. Nada me dá mais prazer do que a sensação de saber exatamente o que quero, e maior satisfação que a de buscar onde for necessário.

Carola Bitencourt
18/10/2010

13 de out. de 2010

Não sei dizer em que momento
o engano me tomou.
Sonolenta
perdi a hora em que a malemolência me deixou.
Peguei o mesmo retorno
do último derrame.
Contínuo é meu erro,
meu gasto, meu vexame
meu peito se abre inteiro
sangue em enxurrada
se esvai
como enxame de abelhas
espalhados pelos olhos menos merecedores
Minha dissonância se sobressai
Cada vez parece pior,
mas, na verdade, são todas iguais
achar que já tinha aprendido
e entender que ainda não sei
é o que me dói mais.
Sempre volto com a alma lavada
assim, completamente limpa
de qualquer cicatriz,
(o que não ajuda,
já que não sei o que fiz)
Refaço de novo achando que é a primeira vez
o caminho tortuoso que vai me levar
pro mesmo fim:
Um coração em pedaços,
a ilusão desmentida,
esperança cortada
pela certeza precoce
de uma vida vidrada
numa posse impossível.
Sofrer de amor é minha sina
meu eterno silício
vício meu de cada dia,
Parte integrante do meu ofício
Sem isso não uso páginas,
não coloro rabisco
não crio sentimento ou faço sentido.
Talvez por isso
escolha mal meus objetos de desejo.
É necessário estar fadado
a um certo fracasso
pra que eu aceite oferecer um beijo.
A iminência de sucesso
Me tira totalmente a gana.

- Carol, você está sendo muito radical...
- Ora, benzinho, a razão me acompanha
Quando estou consciente.
Se lhe pareci razoável,
A culpa é da água’rdente.


Sendo assim, apago a luz
Pra que o astro rei a ascenda no leste.
Outro dia virá, e a solução é aceitar que a fila anda:
NEXT!

Carola Bitencourt
12/10/2010

6 de out. de 2010

Presente de aniversário do meu querido amigo Augusto Dias:

Srta. Bitencourt

Quase um soneto

Sua missão sempre será fazer arte,
Nos transeuntes o caminho musicando
Feliz por rumar assim por toda parte
Seu coração seguirá nos cativando

Assim, quem sabe, um tanto distraída
Você prosseguirá em seu belo intento
E como o mal-me-quer da margarida
Sua presença sempre será um alento

E será beleza, inteligência e esperança
No teu sorriso sereno como uma criança
Que sempre soube o que seria ao crescer

Filha destemida do tempo com a temperança,
Neta querida do movimento com a lembrança
Futuro do pretérito daquilo que há de ser.

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Feliz aniversário!

Saudades e beijos,

AD.

29 de set. de 2010

Acho muito engraçado, cômico, pra não dizer trágico, essa gente que me adiciona no facebook, sem nunca ter visto a minha cara, nem mesmo ter partilhado qualquer opinião pessoal ou virtualmente.
Sinto muitíssimo ter que deixá-los desapontados! Não aceito quem não conheço por uma questão de segurança e de não querer encheção de saco. Na maioria das vezes são criaturas que usam o FB pra jogar Farmville, ou Mafia Wars, e que dependem do meu precioso tempo pra ganhar qualquer prêmio. Levei um bom tempo pra me ver livre disso, sem ter jogado uma vez se quer.
Uso o FB para diversão? Sim. Minha diversão é encontrar nos posts alheios alguma cultura útil ou não, mas que acrescente em algum nível meu raciocínio, minha psiquê, ou que me tirem por um segundo da realidade maciça e trucidante da rotina. Coisas essas, que por experiência própria, nenhum desses DESCONHECIDOS me trará. Já caí na tolice de aceitar solicitações de amizade de idiotas que não conheço, e o resultado foi me sentir tão idiota quanto os vejo.
Ora pois, se esta fosse uma maneira de encontrar pessoas que me valham de alguma coisa, teria tido sucesso nos idos (com a graça do deus do rock) tempos em que me aventurava, na mais pura pré-adolescência, no marasmático rebuliço dos chats anônimos.
Se me cabe dar uma sugestão, o FB poderia classificar em algum link colorido, verde, vermelho e amarelo, aqueles que estão abertos, fechados, ou com o muro em construção.
Ácida! Desculpem-me os que não conhecem ainda minha fama de FRANCA-atiradora. O direito é seu de querer me adicionar sem motivo, assim como o direito é meu de te mandar catar coquinho!
Queridos, o convite de uma amizade, virtual ou não, pra mim, é igual! Imagine a cena: Eu no conforto da minha havaiana, aguardando (sem a mínima paciência) pela minha vez na fila do caixa, e você me vem perguntar, com o maior dos sorrisos, se quero ser seu amigo... Chamo o segurança na mesma hora! Ahh vá!
Se o caso é falta do que fazer: já inventaram o google.
Os "amigos" que tenho no FB, necessitaram, no mínimo, de uma boa dose de simpatia, e alguns neurônios talvez queimados para conquistar, e valeram cada um. Quer ser meu amigo? Valorize seu tempo, e o meu!

Agradecida!

Carolina Bitencourt
29/09/2010

24 de set. de 2010

Teste o que atesto.
Queixe-se do meu texto
deixe caído o queixo
Tente colar na testa
beijo bem quisto.
Me peça pra ir a festa
Me faça o ego besta
Encha minha cerveja
Derrame-me na mesa
Experimente expressar
a consistência em que existo
"Goste do gasto" afoito
preencha os pré-requisitos
Mas não me peça pra entender
o que simplesmente não é dito!

Carola Bitencourt
24/09/2010

20 de set. de 2010

Pra chegar onde estou
é necessário mais que apreço
Meu preço não é barato
doo sem cobrar
troco mel peculiar.
É preciso mais que berço pra me ninar
meu desejo tem nome
sobre montes.
Quero amigo, umbigo
professor de violão
e uma pista
onde meu avião
se sinta a vontade
pra aterrisar
Todo melhor de mim
está guardado
a caminhada pra achar
a chave vai além da fechadura!
Entenda meus pingos nos "i"s
minhas aspas não estão a toa:
ou mergulho sem orgulho
ou o seco me consome.
Ou entrego por bocejo
ou não quero cume
se o mínimo não for importante
a caneta cessa
e minha voz se cala
canto como quem não tem garganta
mas minha rouquidão
cria mais tijolos
que a sabida muralha
minha China asiática se retorce
e só se mostra
onde a cortina é aberta
gentilmente.
Quero mais que o básico
quero mais força que Sansão
meus cabelos caracóis
me dão mais grito.
Espero não perder tempo
meus minutos são contados
e cada vírgula falada
me trava mais pensamento
que vontade mal satisfeita
Não quero rimar vício
quero entendimento
quero mais conexão do que os cheiros,
quero mais ligação
que desejo mútuo de carne
quero o que posso ter.
TENHO.
só me basta reconhecer
em outra multidão
que minha satisfação
depende somente
do sim, e do não!

Carola Bitencourt
20/09/10