descobri posso não te escrever
e ainda assim ter sido lida
na hora, foi tudo certo
5 5 mais igual
dois parafusos entrando na bucha macia
agora só sei da falta:
não quero!
prefiro a certeza da só
só sei ser suzigna
só sei dar momento
não passo de ar
solto no ventilador
gira gira gira
e agarra cabelo
os pelos não são sábios
os lábios que engolem
pelo mais
são!
cada apelo exato
estranha a graça aranha
a força das raízes
dizem os tortos crespos
tão tantas vezes
inexpressaados
gritam agora o toque mais sensato
o "por favor, tomar no açú-de!"
sai
que
vai
to fora
to sina
em quantas formas
quanto possibilidades hábeis.
bjins, amo
Carola Bitencourt
30/02/16
31 de mar. de 2016
29 de mar. de 2016
enquanto eu tinha:
o tudo era tido,
agora o nada
faz pouco sentido
Quem sentava à mesa
já não regozija
quem transparece o riso,
procura cerveja!
enquanto a hora
se esconde no tanto
a sorte se escora
num banjo sem nota
o som de hoje
é tanto quanto cada
e a nata da arte
se transforma em face.
CADÊ a vera?
onde foi parar a foice?
em que momento
se perdeu a fera
quando se transformou
a luz
em noite?
PERGUNTE
não se esqueça
o trauma está
onde se dorme a cabeça.
Carola Bitencourt
28/03/2016
o tudo era tido,
agora o nada
faz pouco sentido
Quem sentava à mesa
já não regozija
quem transparece o riso,
procura cerveja!
enquanto a hora
se esconde no tanto
a sorte se escora
num banjo sem nota
o som de hoje
é tanto quanto cada
e a nata da arte
se transforma em face.
CADÊ a vera?
onde foi parar a foice?
em que momento
se perdeu a fera
quando se transformou
a luz
em noite?
PERGUNTE
não se esqueça
o trauma está
onde se dorme a cabeça.
Carola Bitencourt
28/03/2016
27 de fev. de 2016
porque depois de sábado não tenho compromisso
minha libido não trafega nessa velocidade masculina
não se espaça na saúde biológica psíquica
está exatamente entre a fossa e a foice
entre o nosso e o acoite
nessa vaidade de deveras noite
escura
sem ausência de cor
madura
sem briga pela cota
sem tempo pra convencer o que somos
sem cara pra dizer o atrasado que não te explico!
lo siento, pero
puramente não farei tradução do sentido
desculpa, sem culpa de responsabilidade
quando for real conversaremos em outra língua
e enquanto isso, dessas 6 às 10 discutindo essas todas possibilidades
encontramos todos a delícia de amenidade
que tanto não interessa
quanto não causa prosopopeia
tudo uma edição de contexto
um pre-sabe-este de português correto
de sintaxe no lugar errado
ou de fonética mais atraente que o certo
a gente se cobra
se contorce na cama
não dorme, nem de fato reclama,
tendo lençol, ou pelado no terraço.
depilação é o estrado do colchão sem chama
estamos vivendo ideia
sem acento
compactuamos com a proteção
sem obrigação de relento
o que convencía, era quase um alento
e agora a verdade
tem certeza desse guento
quantas estrofes repetidas
serão necessárias
quantas pontuações farão falta
(?????? ?????????? ????? ?????)
será assim nossa comunicação
é essa sensação a que não pode ser dita?
compreensão causa essa dúvida
tão maldita
ou o meio se fez um laço
sem saída
ou a força bruta é despida
escrevemos pra nenhuma leitura
sobrevivemos pra algum provérbio
se digitamos, ou riscamos
o fato é que nunca lemos
até o fim
Carola Bitencourt
26/02/2016
6 de jan. de 2016
Foram poucas fotos porque o tempo pedia mais ver, que registrar.
Foram poucos dias porque a vontade era de ficar.
Guardei todos os sorrisos e foram milhares:
até de quem não se conhece, num lugar desses, se recebe
Trouxe todos os abraços dados, colhidos, sentidos
e até os que se dá sentado mesmo, na preguiça de levantar
Os presentes em forma de abrigo,
os cuidados em forma de remédio ou de veneno anti-monotonia
As bailadas rodopiadas e leves,
os véus de noite e as brumas serelepes
Risadas, quantas
da bochecha doer e rir colorido ainda mais, mesmo já satisfeita
Tantas trocas de carinho
ajuda, doação,
sensação de pertencimento?
só se for a de reconhecimento
do todos um que somos
do mais um que soma
da sapiência de ser o todo
Foram muitos amores,
reencontrados, criados, em desenvolvimento...
amor de mato, amor ao mato, no mato...
Foi tudo muito, uns poucos nadas (nenhuma tristeza, nenhum arrependimento),
assim como a saudade e a vontade de multiplicar cada pedacinho de tempo
cada conversa batida na varanda, todos os bons minutos, nessa nossa vida séria.
Obrigada a todos pela convivência, experiência e os mergulhos no profundo
de Aldeia Velha!
Carola Bitencourt
06/01/2016
06/01/2016
15 de abr. de 2015
Ser, estar,
poder, evolução, e isso
Tudo aquilo
que dizer não faz
Toda junção
de linha atrás
Desse trazer
sem saco
Dessa sacassão
saturada
Osso de buco
Brucutu sarcástico
Xucro fosso
estratégico
Crosta de
sacro crente
Rente ao
parente desligado
Força de
parada na mão rasgada
Caralho de
quatro
Asa de
malandro cortada
Zarabatana de
serpente alada
E mais...
... ...
Quem souber
a soma
Responda à ré do noves fora:
Ferro
E cante
Antes que
seja jogado ao brejo o sagrado
E sua
ciência se solte pra sorte de quem boceja.
Carola
Bitencourt
14/04/15
26 de jan. de 2015
Meu nome é Carolina.
Carol é um apelido prático e pálido.
Meu avô me chamava de Calú.
E eu me auto intitulei Carola, em homenagem a esse mesmo avô
que chamavam Mané Carola, o dono da vendinha que não vendia doce pra criança, e
mesmo sem fazer matemática mantinha o costume de dá-los aos menores sorrisos
mais abertos todo dia.
Meu nome, eu não me dei, com toda a pompa que Chico criou
pra ele em 1967, anos antes de mim – fico querendo crer que minha mãe se inspirou na música dele
pra me dar designação, e ao invés de herdar a voz dela, eu herdei os olhos
tristes da música dele – ainda considero comum, sem incômodo, mas comum como o
costume de ver tantas iguais que nada parecem comigo.
Ainda hoje escuto de cada época da minha vida um chamar
diferente. Fui passando de um apelido pra outro, trotando na definição de quem
era, quase tratando cada etapa de identidade com um batismo diferente, e posso
definir de que era veio aquele amigo por como ele me chama.
Gosto de quem se deixou influenciar pelo meu pedido, quase
implorador, de me chamar por como quero, e não por como é mais fácil. Gosto
ainda dos que não cedem ao meu desejo, fazem-me lembrar de que nada na vida é
ágil, ou acontece por impulso, mas ficam num lugar secreto em que me parece,
ainda não me conhecem, e por isso não sabem onde fica.
Depois de tantas músicas, e histórias, sobre Carolinas,
Carols, Carolas e afins, caminhamos por passo árduo, pra um lugar que em mim,
não tem fim.
Poderia ser Calú, como ainda sou pros mais carinhosos da
família, poderia me registrar como Carola, poderia reinventar meu nome de trás
pra frente, tal qual criança falando outra língua com a boca cheia de doce. Poderia
criar um dicionário, uma árvore alcunhológica só minha. Poderia pedir
encarecidamente que minha identidade se faça clara aos olhos alheios...
Mas, pra isso, não preciso mudar de nome. Basta ser chamada.
Carola Bitencourt
27/01/2015.
20 de ago. de 2014
sempre rola uma azia
outras vezes zumbe no ouvido
disritmia
artista resolve ou retranca
marca riscos sem distância
sempre rola uns óio
rezando expectativa
descendo pela pele feito jeito
de dizer saudade
ardendo meio calado
alado de imensidão mansa
sempre rola riso solto
só riso mesmo
envolto em sal de lágrima
gritando a anja besta fera
rasgada nessa sede
de ceder a crendice
sempre rola umas emboladas
dilatadas em dias de lua
das que levam a vela
veloz
sem perder brio de chama
quase rola
o sempre
rola sempre,
mas só desenrola
quando se explora sem pensar
Carola Bitencourt
21/08/2014
outras vezes zumbe no ouvido
disritmia
artista resolve ou retranca
marca riscos sem distância
sempre rola uns óio
rezando expectativa
descendo pela pele feito jeito
de dizer saudade
ardendo meio calado
alado de imensidão mansa
sempre rola riso solto
só riso mesmo
envolto em sal de lágrima
gritando a anja besta fera
rasgada nessa sede
de ceder a crendice
sempre rola umas emboladas
dilatadas em dias de lua
das que levam a vela
veloz
sem perder brio de chama
quase rola
o sempre
rola sempre,
mas só desenrola
quando se explora sem pensar
Carola Bitencourt
21/08/2014
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