sempre rola uma azia
outras vezes zumbe no ouvido
disritmia
artista resolve ou retranca
marca riscos sem distância
sempre rola uns óio
rezando expectativa
descendo pela pele feito jeito
de dizer saudade
ardendo meio calado
alado de imensidão mansa
sempre rola riso solto
só riso mesmo
envolto em sal de lágrima
gritando a anja besta fera
rasgada nessa sede
de ceder a crendice
sempre rola umas emboladas
dilatadas em dias de lua
das que levam a vela
veloz
sem perder brio de chama
quase rola
o sempre
rola sempre,
mas só desenrola
quando se explora sem pensar
Carola Bitencourt
21/08/2014
20 de ago. de 2014
23 de jun. de 2014
Pose não é sinônimo de posse
Fosso não é o sinônimo de fossa
Porte não é mesmo que
portoToda palavra tem seu feminino no outro
Com ou sem eufemismo
Estamos todos no intimo do nosso
Cada estrofe fere o verso
Do jeito que a rima
Recolhe a via expressa
Linhas subvertidas intraveem
Vida vide bula venosa
Veneno da mesa exposta
Na aorta da porta aberta
Flores espertas na horta
À espera da primavera.
Carola Bitencourt
Toque fiinalístico de Tchelo Mello
23/06/2014
1 de mai. de 2014
Te vi.
Nos falamos
os olhos souberam,
a boca não veio,
a vista no meio
o barulho da praça
ficamos sem inteiros
enterrados no seio a parte
entre arte, soneto
aspas e fonética
Ética educada e onírica
rica em todo texto reticente
e poética.
Nos vimos, nos falamos
e era você
dentro de um qualquer
sem existir.
Carola Bitencourt
29/04/2014
Nos falamos
os olhos souberam,
a boca não veio,
a vista no meio
o barulho da praça
ficamos sem inteiros
enterrados no seio a parte
entre arte, soneto
aspas e fonética
Ética educada e onírica
rica em todo texto reticente
e poética.
Nos vimos, nos falamos
e era você
dentro de um qualquer
sem existir.
Carola Bitencourt
29/04/2014
25 de mar. de 2014
Minto tão pouco
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.
Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.
Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.
Carola Bitencourt
25/03/2014
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.
Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.
Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.
Carola Bitencourt
25/03/2014
24 de mar. de 2014
"com açúcar, com afeto"
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.
Carola Bitencourt
24/03/2014
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.
Carola Bitencourt
24/03/2014
acontece que mesmo a contragosto
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
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