Mente avoada
cabeça cheia
desorganizada
vontade de tudo
pote de ouro
roubo de coração
impulso de salto
quebrado
me gusta
me encanta
robusta porta
estanca
rubro rosto
arregalado
olhos de gato
piscado
cada parte
a mim
interessa
abre aos poucos a fresta
rachadura crescente
na frente da testa
Bebo café pra ver se apago
minha memória falha
ainda me afaga a nuca...
14/09/2010
Carola Bitencourt
14 de set. de 2010
1 de set. de 2010
Sempre achei que seria interessante ter um blog bem ornamentado, que a configuração poderia dar identidade a página, fazer par com o nome e por conseqüência definir mesmo que aproximadamente o tipo de leitura que se apresenta.
Assim como no blog, ou em qualquer outra tela que o valha, trazemos as primeiras impressões na configuração do layout, como isso pudesse (e até pode) criar uma mensagem instantânea aos olhos alheios. Às mulheres segue um rito quase satânico de corrigir imperfeições corporais com o que melhor lhe cabe, esconder e disfarçar as marcas com uma lista incomensurável de produtos caros, raros e eficazes. Rir de piadas idiotas, e desentender piadas pornográficas por puro puritanismo retrógrado, numa reação automática resultante de anos de proibição e tolhimento tolo. Aos homens é imposta postura decidida pelo desejo feminino, tão autoritário e sutil quanto o machismo que as obriga a desentender piadas verdadeiramente engraçadas e vulgares. Além de estufar o peito, gralhar seus conhecimentos acerca de qualquer assunto, no intuito de cercar seu ego de gente que admire sua sinistra prosopopéia mesmo que o tema seja acne, víscera ou úlcera. – Gentileza hoje em dia é tão somente um SOBREnome de poeta-anarquico-carioca-cristãolisado.
Não nego que me agrada essa postura. Meus amores mais intensos foram efeito da primeira vista. Paixões curtas e inesquecíveis, baseadas nesse layout IN perfeito, maquiado pelo frisson das borboletas de dentro do estômago na apresentação, no “oi tudo bem”.
No blog não me serve mais o colorido decorado, também no masculino não me serve mais o peito estufado e a conversa erudita.
Mudei o layout do blog, acredito agora que o principal e talvez único chamariz deve ser o conforto na brisa da praça, e não seu chafariz imponente no centro dela. Acredito que o principal é o texto e não as bolinhas coloridas que se mostravam fluorescentes aqui.
Continuo me maquiando. Continuo escolhendo as roupas como reais indumentárias. Continuo rindo por conveniência. Continuo me apegando ao frisson do primeiro “oi tudo bem”.
Gostaria de me vestir em completo nu. Mas despir um blog é trabalho demais pra um dia, quem sabe amanhã queimo meu próprio armário?!...
Carola Bitencourt
01/09/2010
Assim como no blog, ou em qualquer outra tela que o valha, trazemos as primeiras impressões na configuração do layout, como isso pudesse (e até pode) criar uma mensagem instantânea aos olhos alheios. Às mulheres segue um rito quase satânico de corrigir imperfeições corporais com o que melhor lhe cabe, esconder e disfarçar as marcas com uma lista incomensurável de produtos caros, raros e eficazes. Rir de piadas idiotas, e desentender piadas pornográficas por puro puritanismo retrógrado, numa reação automática resultante de anos de proibição e tolhimento tolo. Aos homens é imposta postura decidida pelo desejo feminino, tão autoritário e sutil quanto o machismo que as obriga a desentender piadas verdadeiramente engraçadas e vulgares. Além de estufar o peito, gralhar seus conhecimentos acerca de qualquer assunto, no intuito de cercar seu ego de gente que admire sua sinistra prosopopéia mesmo que o tema seja acne, víscera ou úlcera. – Gentileza hoje em dia é tão somente um SOBREnome de poeta-anarquico-carioca-cristãolisado.
Não nego que me agrada essa postura. Meus amores mais intensos foram efeito da primeira vista. Paixões curtas e inesquecíveis, baseadas nesse layout IN perfeito, maquiado pelo frisson das borboletas de dentro do estômago na apresentação, no “oi tudo bem”.
No blog não me serve mais o colorido decorado, também no masculino não me serve mais o peito estufado e a conversa erudita.
Mudei o layout do blog, acredito agora que o principal e talvez único chamariz deve ser o conforto na brisa da praça, e não seu chafariz imponente no centro dela. Acredito que o principal é o texto e não as bolinhas coloridas que se mostravam fluorescentes aqui.
Continuo me maquiando. Continuo escolhendo as roupas como reais indumentárias. Continuo rindo por conveniência. Continuo me apegando ao frisson do primeiro “oi tudo bem”.
Gostaria de me vestir em completo nu. Mas despir um blog é trabalho demais pra um dia, quem sabe amanhã queimo meu próprio armário?!...
Carola Bitencourt
01/09/2010
23 de ago. de 2010
O pé de coração quebrado do meu quintal continua a dar frutos.
Penso em arrancá-lo pela raiz com os dentes, mas aos meus olhos ele se mostra forte e até bonito, como artifício pra me convencer a deixá-lo lá, plantado, esperando sempre minha visita que, ultimamente, tem sido esporádica, mas acaba acontecendo de tempo em tempo, pra substituir o coração que consertei por outro perfeitamente avariado.
Ainda conto com a capacidade cada vez mais desconfiada de atar os micro pedaços, apesar de não saber quando a roleta vai errar o número que escolhi pra apostar todas as minhas fichas. Já perdi um zilhão de vezes e continuo jogando. Toda vez que ganho uma percentagem do que joguei, gasto tudo em bandagem, esparadrapo e anti inflamatório. Assim que acredito ter resultado saudável, levo meu coração fechado pra dar uma volta. Volto com uma volta tomada e reabasteço meu peito com o fruto do meu próprio pé de coração quebrado nascido no meu quintal.
Carolina Bitencourt
23/08/2010
Penso em arrancá-lo pela raiz com os dentes, mas aos meus olhos ele se mostra forte e até bonito, como artifício pra me convencer a deixá-lo lá, plantado, esperando sempre minha visita que, ultimamente, tem sido esporádica, mas acaba acontecendo de tempo em tempo, pra substituir o coração que consertei por outro perfeitamente avariado.
Ainda conto com a capacidade cada vez mais desconfiada de atar os micro pedaços, apesar de não saber quando a roleta vai errar o número que escolhi pra apostar todas as minhas fichas. Já perdi um zilhão de vezes e continuo jogando. Toda vez que ganho uma percentagem do que joguei, gasto tudo em bandagem, esparadrapo e anti inflamatório. Assim que acredito ter resultado saudável, levo meu coração fechado pra dar uma volta. Volto com uma volta tomada e reabasteço meu peito com o fruto do meu próprio pé de coração quebrado nascido no meu quintal.
Carolina Bitencourt
23/08/2010
16 de ago. de 2010
As roupas assim como todas as outras coisas vão sendo substituídas. Sempre tive essa consciência, mas nunca tinha parado pra pensar nisso, e me peguei entendendo como tudo é mutável. A pele que a gente perde sem perceber, as unhas que crescem e são cortadas, os sapatos surrados, marcados pela caminhada ou pelos passos de dança, o bikini que perde a elasticidade, o livro de português obsoleto, o sofá que troco por um novo, e o antigo vira novo em outra casa, etc, etc.
Hoje atentei para o fato de trocarmos as relações também. Os amigos que continuam por perto, mas não tão juntos, os números de telefone discados que saem em ordem diferente e com menor ou maior frequência, os assuntos que são senso comum e os que passam de boca em boca num off que todo mundo ouve, mas faz de conta que não sabe de nada, os namorados que são sofás, igualmente reciclados de uma casa pra outra, ou de um casal pro outro.
Enfim, me deparei com uma única troca que não me parece interessante, ou que não gostei de ter visto: a troca de uma amizade secular por um corpo escultural e uma honra já estuprada. Esse é um sofá que não proporciona conforto, nem descanso. Machuca as costas de quem se senta e causa danos irreparáveis a coluna vertebral do grupo a que se faz parte.
PS.: Prefiro a feiúra íntegra do que o lindo diabo loiro que se veste de vermelho.
Carola Bitencourt
16/08/2010
Hoje atentei para o fato de trocarmos as relações também. Os amigos que continuam por perto, mas não tão juntos, os números de telefone discados que saem em ordem diferente e com menor ou maior frequência, os assuntos que são senso comum e os que passam de boca em boca num off que todo mundo ouve, mas faz de conta que não sabe de nada, os namorados que são sofás, igualmente reciclados de uma casa pra outra, ou de um casal pro outro.
Enfim, me deparei com uma única troca que não me parece interessante, ou que não gostei de ter visto: a troca de uma amizade secular por um corpo escultural e uma honra já estuprada. Esse é um sofá que não proporciona conforto, nem descanso. Machuca as costas de quem se senta e causa danos irreparáveis a coluna vertebral do grupo a que se faz parte.
PS.: Prefiro a feiúra íntegra do que o lindo diabo loiro que se veste de vermelho.
Carola Bitencourt
16/08/2010
16 de jul. de 2010
Cheguei no Cachaça pra esperar aquela que parece um carretel transbordante: perdendo linhas...
Peço uma cerveja, espero o telefone tocar, ligo incessantemente pra ela até ouvir a mensagem desesperadora da cx postal, desliga o telefone e me deixa sozinha numa penumbra de calçada, sem outra opção a não ser beber toda a cerveja, já quente da garrafa que pra 1 pessoa é gigante.
Depois de ver uma manada de gringos passando de um lado para o outro, vejo-os entrando no bar dono da minha cerveja, pedindo algo pro garçom que não entende e mesmo assim os atende. 2 das 4 menininhas em seus xadrezes da mesa ao lado vão afoitas tentar ajudar o garçom. A gringaiada as empurra com seu sotaque texano (o que me fez entender de pronto que não haveria boa recepção a quem oferecesse ajuda) e elas voltam com cara de capa de CD do Tom Zé achando e reclamando que eles não queriam beber e sim despejar o que já tinham bebido. Passados minutos mínimos, cada um sai com seus 666 ml gelados individuais, desnecessitando de copos, ao que o garçom insiste em pedir que sejam usados.
Não vi a cara das meninas, nem preciso.
Os brancos gritam velando sua bebida escorregante. Odeio os gritos e ponho meus fones no mais alto ARCTIC pra velar meus ouvidos e vedar meus pensamentos vazantes.
Uma vendedora de olhos pedintes com seus 9 anos, no corpo de 6, para na mesa certa. O branco mais embalado pela ventania passa a mão em sua cintura num gesto que não sei definir se pedófilo ou complacente, mas certamente pedante. Sem espada a menina se esquiva. Um alívio assobia meu suspiro.
Faltam 20 minutos pra minha conta ser fechada.
De lugar, algum, vem duas Skols que não pedi. O branco que coçou o bolso pra vendedora me dá seus restos como se eu os tivesse pedido. Digo, em sua língua pra que seja esclarecido, que não quero! Que não tenho mais tempo e que não mereço ser fotografada sozinha faltando 20 minutos pra partir com 3 garrafas numa mesa sem acompanhante. De nada - adianta.
Vão embora depois de me contar que estão atrasados pro voo de volta pra casa dentro de uma cidadezinha que nem guardei o nome no Canadá.
E de alguma forma não os vejo mais como os idiotas de antes. Vejo-os como os idiotas que já foram.
Fecho minha conta e vou.
Carolina Bitencourt
15/07/2010
Peço uma cerveja, espero o telefone tocar, ligo incessantemente pra ela até ouvir a mensagem desesperadora da cx postal, desliga o telefone e me deixa sozinha numa penumbra de calçada, sem outra opção a não ser beber toda a cerveja, já quente da garrafa que pra 1 pessoa é gigante.
Depois de ver uma manada de gringos passando de um lado para o outro, vejo-os entrando no bar dono da minha cerveja, pedindo algo pro garçom que não entende e mesmo assim os atende. 2 das 4 menininhas em seus xadrezes da mesa ao lado vão afoitas tentar ajudar o garçom. A gringaiada as empurra com seu sotaque texano (o que me fez entender de pronto que não haveria boa recepção a quem oferecesse ajuda) e elas voltam com cara de capa de CD do Tom Zé achando e reclamando que eles não queriam beber e sim despejar o que já tinham bebido. Passados minutos mínimos, cada um sai com seus 666 ml gelados individuais, desnecessitando de copos, ao que o garçom insiste em pedir que sejam usados.
Não vi a cara das meninas, nem preciso.
Os brancos gritam velando sua bebida escorregante. Odeio os gritos e ponho meus fones no mais alto ARCTIC pra velar meus ouvidos e vedar meus pensamentos vazantes.
Uma vendedora de olhos pedintes com seus 9 anos, no corpo de 6, para na mesa certa. O branco mais embalado pela ventania passa a mão em sua cintura num gesto que não sei definir se pedófilo ou complacente, mas certamente pedante. Sem espada a menina se esquiva. Um alívio assobia meu suspiro.
Faltam 20 minutos pra minha conta ser fechada.
De lugar, algum, vem duas Skols que não pedi. O branco que coçou o bolso pra vendedora me dá seus restos como se eu os tivesse pedido. Digo, em sua língua pra que seja esclarecido, que não quero! Que não tenho mais tempo e que não mereço ser fotografada sozinha faltando 20 minutos pra partir com 3 garrafas numa mesa sem acompanhante. De nada - adianta.
Vão embora depois de me contar que estão atrasados pro voo de volta pra casa dentro de uma cidadezinha que nem guardei o nome no Canadá.
E de alguma forma não os vejo mais como os idiotas de antes. Vejo-os como os idiotas que já foram.
Fecho minha conta e vou.
Carolina Bitencourt
15/07/2010
22 de jun. de 2010
"Choraaaa, não vou ligar! Não vou ligar! Chegou a horaaa..."
Chorar é pouco
broto do verso miúdo
guardanapo guardado no bolso
quase húmido
meio seco de tinta
receitado gota de bica
Ressalto do alto do urro
decidida do beco do morro
Escada por cimento batida
Castigo é não ouvir
dizer sem pasma palavra
letra esmiuçada
cerveja bebida "goelada"
duelo de língua secada
Choraa...
Não vou escrever.
Carola Bitencourt
18/06/2010
broto do verso miúdo
guardanapo guardado no bolso
quase húmido
meio seco de tinta
receitado gota de bica
Ressalto do alto do urro
decidida do beco do morro
Escada por cimento batida
Castigo é não ouvir
dizer sem pasma palavra
letra esmiuçada
cerveja bebida "goelada"
duelo de língua secada
Choraa...
Não vou escrever.
Carola Bitencourt
18/06/2010
15 de jun. de 2010
Não falso mais poesia
Refaço textos em papel colorido
imitando cérebro percorrido
meu
Traço sim poder redativo
despretensioso de esperança
equilíbrio certeiro da destemperança
sarna que coça mão viciada
arranca da folha vazia
qualquer querer relutante
em parecer transparente
entre parênteses (armas)
aspas minhas de cada dia
ou
página 1/ unidade cada
Não faço mais poesia
pauso poses de prosa
rosa desbotada
encadernada sem pauta
Pontuo discrepância tardia
madrugada esmiuçada
desfaço fósseis ressuscitados
saído do plástico
pontado esférico preto
por vezes tampado
bic
Belisco roxo peledural
contando em ais melodiosos
melancolia
Relaxo peito cansado.
Carola Bitencourt
14/06/10
Refaço textos em papel colorido
imitando cérebro percorrido
meu
Traço sim poder redativo
despretensioso de esperança
equilíbrio certeiro da destemperança
sarna que coça mão viciada
arranca da folha vazia
qualquer querer relutante
em parecer transparente
entre parênteses (armas)
aspas minhas de cada dia
ou
página 1/ unidade cada
Não faço mais poesia
pauso poses de prosa
rosa desbotada
encadernada sem pauta
Pontuo discrepância tardia
madrugada esmiuçada
desfaço fósseis ressuscitados
saído do plástico
pontado esférico preto
por vezes tampado
bic
Belisco roxo peledural
contando em ais melodiosos
melancolia
Relaxo peito cansado.
Carola Bitencourt
14/06/10
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