12 de nov. de 2012


É muita coisa pra fazer,
pra ler,
pra organizar,
pra beber,
pra ouvir,
pra curtir,
assistir,
gargalhar.
é tanto não sei dizer,
tanta cara pálida peluda,
tanta razão homeopática,
tanta balela pesada nesse mar de baleias sorumbáticas
que a gente fica assim
nesse marasmo de mim, você, eu, aquele, quem, quando, quanto, por que tanto?
parece que a gente merece a mercê que exerce,
e deixa de ver a voz do vulto da consciência,
que já tá tão invisível quanto o indivíduo dividido.
quantas horas olhando o espelho refletido com o eixo do outro
quanto exu exuberante querendo ser estrela cadente
um moinho de cento e cinquenta tons de transparência.
e basta um sorriso diferente
pra se criar uma enchente de crença no deserto da esperança...

Carola Bitencourt
12/11/12

3 de set. de 2012

Mais uma carta que te endereço.
todas as outras não mandei,
essa ao menos está escrita
contrária a mania minha de ditá-las a mim mesma
e deixa-las amarelando ao passar dos neurônios
dentro do meu cerebelo

outras palavras ditas que nunca chegarão ao seu ouvido
mais algumas linhas estraviadas da lembrança que não teremos
estão jogadas sem vento algum pra levar a fertilização

te pensar não satisfaz
mas afaga a falta que sinto
me iludo nas alusões a outros casos parecidos
que uso pra injetar nas lacunas vazias
dessa nossa que não existe

fixo o ponto de não creio
assim como a devota devolvendo à vela
alguma esperança mácula.

mantenho os pés no chão
e a alma presa a estrutura
dos bichos de asas leves e sem gravidade

nem sambo, e caio, não tropeço
trôpega te peço um pedaço
dessa sorte arteira que te abraça
a dar-lhe a fagulha de riso contido no canto da boca
exijo ao menos que eu não seja solta antes de estar perto
da crista das árvores
pra que a queda não me quebre inteira os cacos remendados e frágeis.

Carola Bitencourt
03/09/2012
Nunca fui (a)política
Nunca fui católica
nem apocalítica

Aposto uma hóstia pálida
como não chego as cólicas
outras vezes farei sádica
o corte módico na parte ácida
será certeiro o profundo ócio
apedrejando meu pesadelo
o dedo apontando o ópio
e a razão pedindo zelo
os erros bastardos escarnecidos
voltarão a soltar-se dos pelos
entre a pele será escarnecida
a alva doçura da plebe
enquanto os rumos subirem aos cumes
continuaremos sem prumo
com costumes impuros
impróprios para banho
e o cúmulo de consciência obtida
será a assinatura no cheque em branco.

Carola Bitencourt
24/09/2012

19 de jul. de 2012

Esses roucos rasgam a alma
trazem da garganta a ranhura esquecida
na esperança a rima disfarçada de dor
Afeição nas letras, canções
emocionadas poesias descritas
no traste do braço traçado de notas
embrulhando os tímpanos com seda chinesa
criando azeite pra delícia da língua
Música, mística miscelânea
outras vozes que retraem as vértebras
se quebram em teclas na tela.
Eu vi, estou ouvindo.

Carola Bitencourt
19/07/2012
Seal e Dave Matthews cantarem Beattles e John Lenon

17 de jul. de 2012

São tantos elos
egos "àflora"
produtos do eco eco,
Eco do mesmo cego
coração,
porão das armas
os cabelos tão gritantes
quanto as vozes
e luzes ofuscantes
reluzionando
um assento circunflexo
Paro por um instante
e temo, o tentar
de parar a rima
pois da velocidade que quero
sai a vontade de
cair, de um alto
pra cima.
Observo as palmas
à frente
dizer atriz efêmera
ais fêmeas
o calor de palma batida
em coro.
A jogada de rosa
no fim do presságio
do-in do aplauso.

Carola Bitencourt
ainda era carol
14/11/2006

10 de jun. de 2012

ainda há uma aqui dentro que se refaz feito gato
com sete vidas, e umas entre-linhas
tantas dessa mesma que se retrai no precipício
algumas que pulam no impulso
outras que se explodem
em respingos nos is
o quebra cabeças se organiza aqui:
no caminho das letras de certas verdades
que não consigo esconder
galopada em potro
na desordem desse cérebro coxo e sagaz
posso ter ideias corrompidas
ameaças de desprezo pós apresentação
mesmo assim, não morro na praia
tiro sempre minha conclusão
nem pela culatra, nem pelas beiradas
minha virtude é ir direto ao fundo
apneia mental é meu exercício diário
nesse Cão mundo
o que está a minha volta, percebo.
se aos demais lhes vale a cegueira,
sinto muitíssimo obrigada,
a mim só me cabe a verdade!

Carola Bitencourt
10/06/2012
é bom que seja raro
que deixe o dia raso, sem horas suficientes
é melhor se for honesto,
um bocado atraente pelos dentes
seja alto dentre os todos de mesmo tamanho
que seja sentido, pontiagudo e almeje o céu
que dele caia
plumamente papel
com recado
com pecado rente a santidade eterna
encontre nos fios uma trança serena
faça serrote nas idas tornadas vindas
recomeço infindo
cores, ardores e mimos
memórias sem botão delete
no leito de raízes encrostadas na pele
se pudesse ser mais
virar de esquerdo pra perfeito
sem vaias nem força
outra virtude de fora da sorte
servido em pote com cobertura
deliciado derretido pela boca
uma dessas quimeras realistas
relacionadas a palpites certeiros
dosadas sem censura, nem consumismo

é bom que exista,
ou meu tempo aqui jamais termina...

Carola Bitencourt
10/06/2012