acontece que mesmo a contragosto
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
24 de mar. de 2014
22 de mar. de 2014
18 de mar. de 2014
14 de fev. de 2014
Mais do mesmo, fora de ordem
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
11 de fev. de 2014
Escrever. Meu melhor amigo
O ato
de escrever
Linhas não julgam
tamanho de folha
delimita sem tolir
Letra continua significando
sem estar milimetricamente
riscada.
O único risco
é quando se lê
porque a interpretação é só sua.
Escrever não tem tempo
não tem veto.
Escrever basta ter onde
pode ser caneta,
pode ser areia e galho
pode ser falho
pode ser mental.
Escrever é a liberdade
de não agradar o leitor
De não se privar do prazer
Não ofende, não defende virtude
Dá somente a continuação
da corrente sanguínea
em tinta impressa
da sua vontade realista realizada
Acompanha seu pensamento
na velocidade da sua caligrafia
Escrever,
mesmo que seja sobre o hábito
de escrever.
Como cinema que retrata o set
Só pode trazer completude
É como usar o calcanhar
pra virar o passo.
Dançar com as mãos e os dedos.
Carola Bitenncourt
08/02/2014
O ato
de escrever
Linhas não julgam
tamanho de folha
delimita sem tolir
Letra continua significando
sem estar milimetricamente
riscada.
O único risco
é quando se lê
porque a interpretação é só sua.
Escrever não tem tempo
não tem veto.
Escrever basta ter onde
pode ser caneta,
pode ser areia e galho
pode ser falho
pode ser mental.
Escrever é a liberdade
de não agradar o leitor
De não se privar do prazer
Não ofende, não defende virtude
Dá somente a continuação
da corrente sanguínea
em tinta impressa
da sua vontade realista realizada
Acompanha seu pensamento
na velocidade da sua caligrafia
Escrever,
mesmo que seja sobre o hábito
de escrever.
Como cinema que retrata o set
Só pode trazer completude
É como usar o calcanhar
pra virar o passo.
Dançar com as mãos e os dedos.
Carola Bitenncourt
08/02/2014
6 de jan. de 2014
Hoje o nada quer
Hoje nada atende.
Prendi o veio
no estribo do meio
e de lado algum
vem o centeio.
Colho agora
o que semeei fora
numa época de plantio seco.
Selo o brio breve
de quem sente mais do que deve.
Brado a casta plenitude
de breu em planície...
...Ao menos pra escrever me serve,
sorve meus músculos soltos
prescreve-me a receita
à base de provérbio,
verborragia e prece.
Procedo a percepção tardia
em conta gotas e bocejos.
Que venha outro deserto!
Já me tornei mais bromélia
que cacto.
Não embromo mais o fim certo
Prefiro fazer florescer o prumo
Que adormecer a relva a esmo.
Carola Bitencourt
03/01/2014
Hoje nada atende.
Prendi o veio
no estribo do meio
e de lado algum
vem o centeio.
Colho agora
o que semeei fora
numa época de plantio seco.
Selo o brio breve
de quem sente mais do que deve.
Brado a casta plenitude
de breu em planície...
...Ao menos pra escrever me serve,
sorve meus músculos soltos
prescreve-me a receita
à base de provérbio,
verborragia e prece.
Procedo a percepção tardia
em conta gotas e bocejos.
Que venha outro deserto!
Já me tornei mais bromélia
que cacto.
Não embromo mais o fim certo
Prefiro fazer florescer o prumo
Que adormecer a relva a esmo.
Carola Bitencourt
03/01/2014
19 de out. de 2013
Só por um título
poesia é que nem arrepio:
dá, e não se registra!
poesia grito e pio
ela tem direito de ser sinistra
pira pleno giro
grifo da via
esfera direta teima
espera ser poesia
enquanto é poema
exaspera a poeira de cima
se deixa cair na cria
confunde a semana com dia
e a chuva com clima
o sol sempre irradia
a rata se dá como filha
e o trato se quer feito falha
ingrata é a pilha
que sabe ser fogo de palha
arca com a ralha
e cadencia a história
os versos se trabalham
na estrofe que se aflora
folha branca que espalha
no instrumento diz afora
broto verde
fértil agora
hoje sente, amanhã se absorta
ontem vigora
na saudade quase morta
mosca na parede
a mão bate certamente torta.
Carola Bitencourt & Tchello Melo
19/10/2013
porque hoje é sábado. vinicinho
poesia é que nem arrepio:
dá, e não se registra!
poesia grito e pio
ela tem direito de ser sinistra
pira pleno giro
grifo da via
esfera direta teima
espera ser poesia
enquanto é poema
exaspera a poeira de cima
se deixa cair na cria
confunde a semana com dia
e a chuva com clima
o sol sempre irradia
a rata se dá como filha
e o trato se quer feito falha
ingrata é a pilha
que sabe ser fogo de palha
arca com a ralha
e cadencia a história
os versos se trabalham
na estrofe que se aflora
folha branca que espalha
no instrumento diz afora
broto verde
fértil agora
hoje sente, amanhã se absorta
ontem vigora
na saudade quase morta
mosca na parede
a mão bate certamente torta.
Carola Bitencourt & Tchello Melo
19/10/2013
porque hoje é sábado. vinicinho
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