"com açúcar, com afeto"
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.
Carola Bitencourt
24/03/2014
24 de mar. de 2014
acontece que mesmo a contragosto
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
22 de mar. de 2014
18 de mar. de 2014
14 de fev. de 2014
Mais do mesmo, fora de ordem
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
11 de fev. de 2014
Escrever. Meu melhor amigo
O ato
de escrever
Linhas não julgam
tamanho de folha
delimita sem tolir
Letra continua significando
sem estar milimetricamente
riscada.
O único risco
é quando se lê
porque a interpretação é só sua.
Escrever não tem tempo
não tem veto.
Escrever basta ter onde
pode ser caneta,
pode ser areia e galho
pode ser falho
pode ser mental.
Escrever é a liberdade
de não agradar o leitor
De não se privar do prazer
Não ofende, não defende virtude
Dá somente a continuação
da corrente sanguínea
em tinta impressa
da sua vontade realista realizada
Acompanha seu pensamento
na velocidade da sua caligrafia
Escrever,
mesmo que seja sobre o hábito
de escrever.
Como cinema que retrata o set
Só pode trazer completude
É como usar o calcanhar
pra virar o passo.
Dançar com as mãos e os dedos.
Carola Bitenncourt
08/02/2014
O ato
de escrever
Linhas não julgam
tamanho de folha
delimita sem tolir
Letra continua significando
sem estar milimetricamente
riscada.
O único risco
é quando se lê
porque a interpretação é só sua.
Escrever não tem tempo
não tem veto.
Escrever basta ter onde
pode ser caneta,
pode ser areia e galho
pode ser falho
pode ser mental.
Escrever é a liberdade
de não agradar o leitor
De não se privar do prazer
Não ofende, não defende virtude
Dá somente a continuação
da corrente sanguínea
em tinta impressa
da sua vontade realista realizada
Acompanha seu pensamento
na velocidade da sua caligrafia
Escrever,
mesmo que seja sobre o hábito
de escrever.
Como cinema que retrata o set
Só pode trazer completude
É como usar o calcanhar
pra virar o passo.
Dançar com as mãos e os dedos.
Carola Bitenncourt
08/02/2014
6 de jan. de 2014
Hoje o nada quer
Hoje nada atende.
Prendi o veio
no estribo do meio
e de lado algum
vem o centeio.
Colho agora
o que semeei fora
numa época de plantio seco.
Selo o brio breve
de quem sente mais do que deve.
Brado a casta plenitude
de breu em planície...
...Ao menos pra escrever me serve,
sorve meus músculos soltos
prescreve-me a receita
à base de provérbio,
verborragia e prece.
Procedo a percepção tardia
em conta gotas e bocejos.
Que venha outro deserto!
Já me tornei mais bromélia
que cacto.
Não embromo mais o fim certo
Prefiro fazer florescer o prumo
Que adormecer a relva a esmo.
Carola Bitencourt
03/01/2014
Hoje nada atende.
Prendi o veio
no estribo do meio
e de lado algum
vem o centeio.
Colho agora
o que semeei fora
numa época de plantio seco.
Selo o brio breve
de quem sente mais do que deve.
Brado a casta plenitude
de breu em planície...
...Ao menos pra escrever me serve,
sorve meus músculos soltos
prescreve-me a receita
à base de provérbio,
verborragia e prece.
Procedo a percepção tardia
em conta gotas e bocejos.
Que venha outro deserto!
Já me tornei mais bromélia
que cacto.
Não embromo mais o fim certo
Prefiro fazer florescer o prumo
Que adormecer a relva a esmo.
Carola Bitencourt
03/01/2014
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