14 de jun. de 2016

tá tudo caindo na caixa de spam.
não sei porquê, mas acontece.
essas vezes que nus vemos,
nos empadesem.
quem sabe um dia
a verdade aparece,
e vc vai perceber a riqueza
perdida na nossa prece.
talvez seja uma relâmpago,
a luz que acende.
pode ser um flash de cegueira,
ou uma fogueira
transcendente.
do rico riso um hip hop grunge,
dessa história toda
funk desbunde,
pode ser nós dois
um nó desfeito,
um cabelo e paletó
engravatado no jeito,
uma hora sã,
uma oração
sem trava.
uma via vã
de outra coisa exata.
bora amar sem tanto
complicar a rima,
deixa a moça sambar,
deixa a paz ser a firma,
formo seu compasso
se
você acertar a cina.
Carola Bitencourt
06/06/16

30 de mai. de 2016

"Me falta cigarro"
escreve um amigo
Me falta você
penso comigo
"Me abraça"
ouvi quando disse
abracei
sem te prender no ninho
To paspalha
sorrindo, alto
flutuante no meu imaginário
gargalhando, lembrando
dos olhos grudados
no meu...
_ _ _ _ _

Não te escrevo
Fito as fotos
Falho nos atos
Fecho os olhos
atônita e leve
Levo seu rosto
onde quer que vente
Volta, presença
fincada no ventre
Vejo você
entre as memórias
sábado foi
domingo passou
segunda já é
Quando nus sexta-seremos novamente?

Carola Bitencourt
30/05/2016

7 de mai. de 2016

Dois dias
três anedotas tardias
anotadas em papel de pão
Enrolado o fumo
mofado o rolo escrito
crivo de credo
lenda rezada e
o viés contrário da ida
Vida de véu desanuviado
desvio vidrado
sem reflexo
enxofre queimado
rima no verso
Na capa as aspas apesar
de exasperado o salto
escracho do sexo forte
fonte transgressa
expresso norte
hora vinda do leste
A fome repercutida em tambor
de onde
Dessa descida decidida
saída de urgência
vigência de vigia acordado
no branco da noite
de fato foi-se açoite
maciço mais sorte que vazar as asas
pelo céu vazio
rasgado no interno do osso
sozinho no cálculo
servido no copo
engolido do cálice pra laringe
de longe um ponto eco
do pouco o outro que nasce
Nessa sabida transpiração
inspirada por carbônico expirado
por tantas contas somadas.
Onda andada em zigue-zague
...
E continua

Carola Bitencourt
06/05/2016

12 de abr. de 2016

Cafuné Cafona

Vez em quando seu pezinho molhado aparece num canto esquerdo no alto da minha tela, onde posicionei o ícone da rede social.
É uma foto dessas despretensiosas (talvez icônica) tal qual nossas duas tardes passadas num passado presente tipo rede de balançar, onde repouso minha lembrança.
Assim do nada, pairando nesse mar de virtudes virtuais me paira seu marasmo confortável, aquele da companhia calma, serenidade que desejo, e uns pingos de saliva doce pra temperar.
Em algum ponto ficou por lá, naquele feriado gasto na redoma da cama, dividindo o travesseiro, nossa vontade de querer mais.
Mas, acho ainda que pode ser válida uma nova tentativa, outra volta no relógio do tempo perdido. Mais uma sessão de sol no chuveiro e aquelas mordidas no ombro, ou queixo.
Sei lá eu porquê motivo - razão não fica nessas horas, só a circunstância - to nesse looping de cena no interno do olho...
Dê uma piscada se você também quiser criar outras novas vagarosas tardes.
Posso secar seus pés molhados e de repente seguimos mais um pedaço de caminho, assim como quem não quer nada.
;)

Carola Bitencourt
11/04/2016

1 de abr. de 2016

não tem a quem chamar
não tem grito que agrave
tem teor de voz que chama
tem alou, to precisando.

tem amigo,
quando interessa
tem vontade
quando há pressa
tem desejo que não interpreta

de onde vem paciência
de onde surge decência
onde se faz a palavra hoje
quando amanhã
é só ausência?

foda-se o gosto
foda-se o sábio
o sádico
é esse
que se aproveita

nessa não tem moral da ESTORIA
nessa se faz a glória sem satisfação
nessa, quem contava
agora não considera
não.

Parabéns!
os entes queridos, escolhidos
na encruzilhada se perguntam:
sãos?

Carola Bitencourt
31/03/2016

31 de mar. de 2016

descobri posso não te escrever
e ainda assim ter sido lida

na hora, foi tudo certo
5 5 mais igual
dois parafusos entrando na bucha macia
agora só sei da falta:
não quero!
prefiro a certeza da só
só sei ser suzigna
só sei dar momento
não passo de ar
solto no ventilador
gira gira gira
e agarra cabelo
os pelos não são sábios
os lábios que engolem
pelo mais
são!
cada apelo exato
estranha a graça aranha
a força das raízes
dizem os tortos crespos
tão tantas vezes
inexpressaados
gritam agora o toque mais sensato
o "por favor, tomar no açú-de!"
sai
que
vai
to fora
to sina
em quantas formas
quanto possibilidades hábeis.
bjins, amo

Carola Bitencourt
30/02/16

29 de mar. de 2016

enquanto eu tinha:
o tudo era tido,
agora o nada
faz pouco sentido
Quem sentava à mesa
já não regozija
quem transparece o riso,
procura cerveja!
enquanto a hora
se esconde no tanto
a sorte se escora
num banjo sem nota
o som de hoje
é tanto quanto cada
e a nata da arte
se transforma em face.
CADÊ a vera?
onde foi parar a foice?
em que momento
se perdeu a fera
quando se transformou
a luz
em noite?
PERGUNTE
não se esqueça
o trauma está
onde se dorme a cabeça.

Carola Bitencourt
28/03/2016