Te vi.
Nos falamos
os olhos souberam,
a boca não veio,
a vista no meio
o barulho da praça
ficamos sem inteiros
enterrados no seio a parte
entre arte, soneto
aspas e fonética
Ética educada e onírica
rica em todo texto reticente
e poética.
Nos vimos, nos falamos
e era você
dentro de um qualquer
sem existir.
Carola Bitencourt
29/04/2014
1 de mai. de 2014
25 de mar. de 2014
Minto tão pouco
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.
Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.
Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.
Carola Bitencourt
25/03/2014
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.
Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.
Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.
Carola Bitencourt
25/03/2014
24 de mar. de 2014
"com açúcar, com afeto"
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.
Carola Bitencourt
24/03/2014
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.
Carola Bitencourt
24/03/2014
acontece que mesmo a contragosto
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio
quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos
levanto da areia
seco o sal
agarro meu dia
refaço a vela
e parto
pra outro partido...
Carola Bitencourt
24/03/2014
22 de mar. de 2014
18 de mar. de 2014
14 de fev. de 2014
Mais do mesmo, fora de ordem
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
Se sozinha na mesa
o caderno pede o risco
da caneta, da palheta
de cores contidas
nas letras pantonadas
É importante lembrar
quando o postante acontecer
que o tamanho da folha
vai ditar a dimensão do
verso
e que a conotação dada a ele deve ser recalculada.
Há muito desacostumei com o papel de escritora, até acostumei, embora não me considere digna da definição já direcionada a minha mão trêmula.
Me parece que é necessário, tanto quanto prazeroso, refazer essa relação natural e esse Moleskini tem caído como moletom em noite de frio no corpo para o meu pulso já quase atrofiado pelo desuso. Até gosto do digitado, das ferramentas facilitadoras de conteúdo: Google, sinônimo, relógio, rapidez pra acompanhar a chegada dos trocadilhos na construção do concretismo das consoantes e do cimento das vogais. Mas...
... É Simples! Há algo de poético na tinta deliberada e controladamente disposta nessas linhas finas, nessas folhas claras, esperando a estampa gráfica dessas palavras florindo geométricos círculos, por vezes cortados por retornos ou voltas menores ou elipses disléxicas, e tantos etcéteras quanto pode caber num texto livre e feito por puro gosto, sabor e satisfação de não seguir regra, não atender expectativa e nem estar obrigado a ser bom, e por isso ser.
Há liberdade.
A liberdade.
Essa que só te priva de prender os dedos ou de perder a vontade de suspirar aliviado. Respira-se a sensação de gargalhar sem motivo aparente. Vive-se o processo de trazer a tona o que os olhos transparentes não alcançam expressar.
Escrever a caneta traz de volta o sentido cru, o processo físico, biológico, original, de absorver no músculo a realização. Vem até o ombro a fadiga por esforço e essa resposta corporal vivaciona a delícia de fazer, ter feito, terminar o que se pretende.
Se existe final melhor que o de cumprir uma proposta de si para si, certamente não passa pelas linhas de um caderno.
Carola Bitencourt
12/01/2014
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