Aquela
era sua poesia
falar
enquanto fudia
Aquarela
jazida
ia devagar
agarrava a cama vazia
Ouvia os gastos
sarava o vago vácuo
curava as teses toscas
outras horas
satisfazia
as vidas e vindas
Carola Bitencourt
07/03/2017
L.NDS
7 de mar. de 2017
7 de fev. de 2017
Passar pelas ruas do Rio, no começo de Fevereiro, nesse pedaço ermo de fronteira entre bairro parque praia, escuro varrido de folha seca amendoeira, espécies... repleto de vazio insegurança ar de verão com uns gatos pingados a esmo, uns cachorros pintados magros... Nem parece que daqui uns dias tá tudo coberto de gente. Um tapete de pele colorida com pó, cerveja, suor deslisante e gritos decorados na embriaguez, aqueles nacos de refrão destilados gelados com calor a vapor. Pouco se acredita ver tanta sorte de povo alegre ou as torturadas almas serelepes se pegando sem considerar amanhã durante a noite ou transcorrendo sem dormir horas inteiras sedentas pela próxima batucada batida a próxima corrida ou a mesma sangria desatada pelos blocos de metal gigantes circulando no asfalto quente, aliviado por sombras escassas disputadas a bunda, cotovelo, sorriso maroto e piscadelas de gentileza. Quem diz que se inunda de som rasgado de palheta voz nylon baqueta qualquer objeto atrito barulhento que se encontre a frente ou à mão acompanhando sem compasso ou com o que tão na hora bradando? A confusão distinta por metros de distância entre um monte caminhando e outro dispersando entre encontros frustrados e novas amizades espontâneas, a náusea faminta por massa ferro hidratação ou refrescância. Nem parece que é bonito, gostoso, ou dá saudade, mas é, é, e dá.
Passando por essas ruas a esses minutos de agora nem parece, Má aparece nos dias certos pra ver se tu não se solta e volta todo ano, passa?
Carola Bitencourt
06/02/2017
Passando por essas ruas a esses minutos de agora nem parece, Má aparece nos dias certos pra ver se tu não se solta e volta todo ano, passa?
Carola Bitencourt
06/02/2017
30 de jan. de 2017
Já sei o
filme pra próxima sessão
em francês
com legenda português,
já que o
espanhol deve ser congelado
Já pensei 4
vezes em te mandar
mensagens fofas,
perguntas curiosas e à merda
rasgar seu
contato virtual
vigiar minha
vontade de ver seus vícios
criar umas
barreiras mais habituais
que aquelas
que te dei pé-pé pra pular pra dentro
de mim, de
mis sueños, de mis
cosas bellas
proibir de
verdade sua mania de chamar reina
por permissão
sem originalidade
desertar
sua estadia nas ilusões que ascendo
Já pensei 10
vezes em escrever essa poesia
sabendo que
nunca te vas a leerla
a lejos de nosotros como me hay dijo
sin que
pudriera escucharlo
Já sei a película da próxima sessão…
vos no te vas a saber
Carola Bitencourt
30/01/2017
rainho argentino
rainho argentino
24 de jan. de 2017
vídeo com preta ganhando na cara dura: realista! eu já vi
gente que faz feitura fatídica à vista e sem CGI: também,
quase tortura pra quem não consegue: "é ruim"
um pouco de tapa na cara como mal
parece que tem mordaça...
Carece entender o ferrolho da bola de ferro
parece com paz-macera de quem tinge a voz com berro
erro de quem se diz dono,
ferro de quem se faz trono
o game fica pra trás quando se lê historia
quem não esquenta a barriga no fogão
não se refresca na pia
piegas o ser que acha que pode sair no pio
crente que jaz o assento de falo
na placenta que cria
Quando seremos igualitários?
Quê passa na fronteira do lado
que aqui se espia?
todo esse notar temerário acaba sentando na mesma pik@
pouca
que agora oca ecoa transita e se esvai sombra fraca
retarda
quer segurar
mas não cala
nem calça, quem dirá calcanhar sangrado
quem quiser que tente
vai ser outra pedra
sem guardar semente!
Carola Bitencourt
25/01/2017
14 de nov. de 2016
queria um abraço
a bela feroz do laço
não deixou rastro de presa
sem pressa, sem amanhã, sem sorte de coisa
nem uma mesma besta se solta
agora o troço uiva vadio e torto
um mastro de algorítimo morto
uma voz sem estrofe,
ou mesmo uma hora de horto
quando tudo for manhã
futuro certo de uma diva mal diná
feiticeira
seremos chocolate derretido
e um pouco de coco calado
enquanto tremem as vielas
decantados is fondues de panelas
a bela feroz do laço
não deixou rastro de presa
sem pressa, sem amanhã, sem sorte de coisa
nem uma mesma besta se solta
agora o troço uiva vadio e torto
um mastro de algorítimo morto
uma voz sem estrofe,
ou mesmo uma hora de horto
quando tudo for manhã
futuro certo de uma diva mal diná
feiticeira
seremos chocolate derretido
e um pouco de coco calado
enquanto tremem as vielas
decantados is fondues de panelas
foudis com a vida dos melaninos
e a nossa via, trela
atolada em comi-elas
as veias do sarado dorso
continuam exaltadas,
moço sopro
viva como se fosse esse outro
a dividir sem sua consciência
o mesmo oxigênio
e a nossa via, trela
atolada em comi-elas
as veias do sarado dorso
continuam exaltadas,
moço sopro
viva como se fosse esse outro
a dividir sem sua consciência
o mesmo oxigênio
Carola Bitencourt
14/11/2016
29 de ago. de 2016
Comecei a
fumar o tabaquinho, desses que vendem na rua. Tudo separado e tem que montar
peça por peça. Parece lego e faz você parecer funcionário da Philip Morris década de 40, onde quer que vá, ou um morto muito louco trocando as pernas,
montando, andando, tropeçando. Montando.
Até aí, tudo
bem. Montou, fumou, tem recompensa. Começa a desenvolver habilidades manuais
incríveis, descobre que todos os dedos tem funções nunca exploradas,
separadamente, um por um.
Como o texto
é curto e a receita do miojo já rolou, vou dar dicas:
Dica 1:
Pratique o desapego. Aqueles cabelinhos soltos que vão se perdendo no caminho,
fazendo falta ou não, jamais voltarão pra você. Despeça-se sem preocupação. Foi
com o vento.
Dica 2:
Jamais perca esta ordem: Seda, Filtro, depoooois o tabaco. Do contrário tu tem
que pedir a terceira mão do coleguinha do lado e se não tiver perde o trabalho
todo de já ter colocado tudo na seda pra achar o pacotinho de filtro, ou achar
aqueles já despejados junto com os fiapos dourados. É tudo programado.
Dica 3:
ISQUEIRO!! Seu melhor amigo – mais que aqueles que te mandam meme de whatsapp
no dia 21/01 ou do 07, nunca lembro essas datas... – ISQUEIRO! Você não será o
mesmo quando estiver sem. Já faz um estoque em casa. Não vai ficar fazendo de conta
que é mania de colocar no bolso. Todo mundo tá na mesma que você nesse esquema
do amigo número 1.
Dica 4: Pode
ser, ou não, vc que sabe. A cartucheira pode ser uma importante aliada. Faz uma
diferença enorme naquela hora de achar todos os itens, as pecinhas pra montar.
Mãos livres. Livre-se do peso no ombro. Vale a pena.
Deve ter
mais um monte de dicas, mas o cigarrin acabou. Antes de chegar no filtro,
claro. Agora só dá tempo de fazer um miojo (bhléee)!
Mais informações no
próximo perrengue. Bja
Carola
Bitencourt
28/07/2016
14 de jun. de 2016
Vou desfazer a maquiagem que ninguém
viu além de mim. Deitar com uma garrafa quente pra espantar o frio que ninguém
aqueceu, fora o calor de dentro aqui. Criar coragem pra desnudar e recobrir a
pele já repelindo o ar gelado e a conversa amena da casa ao lado, ou dos
moradores passivos na minha. Vou curtir orvalho pela parede dos fundos, sorver
sorte de coisa alguma tal falta de necessidade em dividir a concha. Abrir o
inconsciente pra Morfeu abraçar as pálpebras fechadas. Continuar o sonho sem
sinestesia ou mesmo telepática no meu eu futuro dizendo: acorda, já é hoje. E
então, um boa noite sem tramela, escancarada no abismo de mim, reencontrar
aquela que é, sem mais, sem medo, soma de tudo que vi vívido no voo
livre do hoje.
Carola Bitencourt
14/06/2016
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