Há uma esfera soberana de tirania múltipla, que não escolhe por raça, classe ou estado, a quem sobrepujar. Uma esfera não exclusa da nossa atmosfera vigente, que engloba como verniz a nossa.
Pode-se chorar contanto que seja miseravelmente. Não há possibilidade de um choro digno. Todas as fraquezas demonstradas são automaticamente traduzidas em insignificância, como se o fato de estar fraco em algum momento o tornasse desprezível e desnecessário ao convívio alheio pelo tempo de uma vida.
Imagino, se a beleza tem sua ditadura, como se chamaria o que temos com o estado de espírito: despotismo?
Depositamos esse absolutismo vão, vago, lúgubre e insolúvel no que há de mais puro: os sentidos.
É preciso estar em eterno teor de alegria, sóbria e constante de tal forma que o ao redor jamais se dê conta da vontade de colo que se tenha. Caso contrário, estamos em posição de piedade, e mesmo que de forma pueril, basta para criar a ojeriza geral destes fortes intocáveis.
Caçamos tanto uma felicidade utópica que ao menor sinal do que julgamos fracasso dessa busca ao tesouro marcada com um X no mapa de couro, obviamente previsível, abominamos a possibilidade de admiração pelo sujeito sincero que assume sua sensação valendo-se de nada mais que o verdadeiro ser-sentir.
Abre-se uma guerra, plastificada pelos soldadinhos de chumbo preguiçosos demais pra pensar por si mesmos, contra aqueles a quem a lágrima desce belamente sem vergonha.
“Nem todos os dias são bons. Eu continuo sorrindo. Nem todos os dias são bons, mas eu continuo sorrindo. E se aparece um que não mostre até os molares, que amole outro: esta felicidade é tão frágil quanto a certeza de estar no caminho certo.”
- É, eu, Carola, sinto! Muito: “eu gosto dos que tem fome, que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem”. Esses fortes não reinam minha diretriz, e quando choro me sinto rainha, certamente, não de um castelo de cartas marcadas.
Sejamos mais honestos com a emoção, meus meros caros impermeáveis!
Carola Bitencourt
18/04/2012
18 de abr. de 2012
17 de abr. de 2012
Mais uma vez veio a noite
varreu o claro espanando a vela acesa
Mais uma vez o cansaço e a destreza de se jogar na cama
antes trono de horas cobertas de estudo musical e filosófico
Agora banheira de formol
objetivo cínico: outro dia laboral
Tive o vislumbre na borda da hora
uma vista meio apagada no foco borrado
uma vontade sem verdade estórica
outra manha ignorada na carência eufórica
metade silêncio e outro meio vício
Rascunhei alguns palpites
Salvei serenatas inativas
pestanas de trastes desconectos
até cair novamente na natural dúbia notívaga
Meu sono, minha corda, minha bebida.
Carola Bitencourt
17/04/2012
varreu o claro espanando a vela acesa
Mais uma vez o cansaço e a destreza de se jogar na cama
antes trono de horas cobertas de estudo musical e filosófico
Agora banheira de formol
objetivo cínico: outro dia laboral
Tive o vislumbre na borda da hora
uma vista meio apagada no foco borrado
uma vontade sem verdade estórica
outra manha ignorada na carência eufórica
metade silêncio e outro meio vício
Rascunhei alguns palpites
Salvei serenatas inativas
pestanas de trastes desconectos
até cair novamente na natural dúbia notívaga
Meu sono, minha corda, minha bebida.
Carola Bitencourt
17/04/2012
9 de abr. de 2012
não há um dia sequer em que meu violão não me traga a lembrança dele.
todas as vezes que passo no catete, me lembro dos gatos e do lanche/almoço pão de forma e iogurte.
se estou triste o replay instantâneo da sua voz me vem ao ouvido dizer que é desnecessário adiantar o inadiável.
a saudade é um balde transbordante do melhor vinho!
desperdício impropício de tanto sentimento proporcionalmente sem sentido.
que falta me faz M.C.R.F.
todas as vezes que passo no catete, me lembro dos gatos e do lanche/almoço pão de forma e iogurte.
se estou triste o replay instantâneo da sua voz me vem ao ouvido dizer que é desnecessário adiantar o inadiável.
a saudade é um balde transbordante do melhor vinho!
desperdício impropício de tanto sentimento proporcionalmente sem sentido.
que falta me faz M.C.R.F.
19 de mar. de 2012
Papai Paulo me suspira
umas me tiras do on vido
Não inspira pelos pulmões,
mas dá sopro de força aos dedos
batendo nas telas de letra, pretas
a supetões de martelada
duma mente malacalmada
dormindo na cama durante o dia
pra curar amidalite inflambada.
Limão, chá de sumiço do trampo,
e tempo jogado em hora sem proveito
com único objetivo de ressuscitar células
com antibiótico, anti-sócio, anti-feito
nesse momento a monotonia é a solução
descansar o corpo e não engolir pão: porque dói.
Sopa, água ambiente e muita febre de vontade.
Só vontade, já que a execução foi adiada
pra quando a patologia for apartada.
Despertar o celular de doze em doze
E não esquecer o copo pra descer o remédio
Ironicamente grande pra quem tem as vias fechadas.
Uma folga perdida em casa,
e uma ânsia de não pegar mais vento de madrugada
que obviamente será esquecida
depois de uma semana curada.
Carolina Bitencourt
19/03/2012
umas me tiras do on vido
Não inspira pelos pulmões,
mas dá sopro de força aos dedos
batendo nas telas de letra, pretas
a supetões de martelada
duma mente malacalmada
dormindo na cama durante o dia
pra curar amidalite inflambada.
Limão, chá de sumiço do trampo,
e tempo jogado em hora sem proveito
com único objetivo de ressuscitar células
com antibiótico, anti-sócio, anti-feito
nesse momento a monotonia é a solução
descansar o corpo e não engolir pão: porque dói.
Sopa, água ambiente e muita febre de vontade.
Só vontade, já que a execução foi adiada
pra quando a patologia for apartada.
Despertar o celular de doze em doze
E não esquecer o copo pra descer o remédio
Ironicamente grande pra quem tem as vias fechadas.
Uma folga perdida em casa,
e uma ânsia de não pegar mais vento de madrugada
que obviamente será esquecida
depois de uma semana curada.
Carolina Bitencourt
19/03/2012
14 de mar. de 2012
Não sou uma pessoa de um grande talento incrível.
Sou pessoa de vários talentos pequenos e únicos.
As vezes finjo que o SBP é uma lata de spray e grafito a morte dos mosquitos no ar.
Quando pinto as unhas do pé, imagino que são o branco nos brincos de pérola do quadro barroco de 1900 que pintei em outra época.
Faço uma varredura no disco rígido do cérebro toda noite, ou dia, antes de dormir. E desconecto as mensagens instantâneas entre meu córtex e seus núcleos quando bocejo o último soneca da máquina de pensar.
Se assisto um filme sinto a lágrima escorrer na minha tela por dentro da pálpebra.
Toda vez que escrevo vejo as linhas dos cadernos de caligrafia que eu percebia entre as linhas amarelas do asfalto, ao atravessar a rua de mãos dadas com a responsável.
Sou viciada em caixas de sapato mais que pastas sanfonadas com divisórias.
Começo o banho lavando a mesma coisa que lavo de novo quando termino.
Não sou uma pessoa de um pensamento incrível.
Sou uma pessoa de pensamento aberto!
Carola Bitencourt
Sou pessoa de vários talentos pequenos e únicos.
As vezes finjo que o SBP é uma lata de spray e grafito a morte dos mosquitos no ar.
Quando pinto as unhas do pé, imagino que são o branco nos brincos de pérola do quadro barroco de 1900 que pintei em outra época.
Faço uma varredura no disco rígido do cérebro toda noite, ou dia, antes de dormir. E desconecto as mensagens instantâneas entre meu córtex e seus núcleos quando bocejo o último soneca da máquina de pensar.
Se assisto um filme sinto a lágrima escorrer na minha tela por dentro da pálpebra.
Toda vez que escrevo vejo as linhas dos cadernos de caligrafia que eu percebia entre as linhas amarelas do asfalto, ao atravessar a rua de mãos dadas com a responsável.
Sou viciada em caixas de sapato mais que pastas sanfonadas com divisórias.
Começo o banho lavando a mesma coisa que lavo de novo quando termino.
Não sou uma pessoa de um pensamento incrível.
Sou uma pessoa de pensamento aberto!
Carola Bitencourt
12 de mar. de 2012
O relógio bateu errado
Deixei uma guitarra partida
e um coração quebrado
Um fala muito
o outro pensa pouco demais
Minha vontade agora descansa
entre uma pista redonda
e umas rodas minimalistas
quase o círculo que piso
quando o riso força as vias lacrimais
Olho praquele que deu à deus a deusa
see you later alligator
goood bye!
Carola Bitencourt
12/03/2012
Deixei uma guitarra partida
e um coração quebrado
Um fala muito
o outro pensa pouco demais
Minha vontade agora descansa
entre uma pista redonda
e umas rodas minimalistas
quase o círculo que piso
quando o riso força as vias lacrimais
Olho praquele que deu à deus a deusa
see you later alligator
goood bye!
Carola Bitencourt
12/03/2012
1 de mar. de 2012
Vem me iludir
Me rasgar a cicatriz
Vem me dar o tapa na cara
Por puro gostar da brutalidade
Vem amarrar minha mão ao santo
Vem me cuspir o pranto que jorrei
Traz meu verdadeiro pânico
Em forma de travesseiro
Pra acompanhar os sonhos que durmo
Vem saquear minhas boas lembranças
Corte minha carne cerebral flácida
A fim de expor minha fragilidade
Recrie o monstro debaixo da minha cama
Gargalhe da minha esperança
A ponto de ser o cristo vestido de demônio.
Sove minha sorte com galhos de azar
Corte as asas que acabei de sarar
Bloqueie com muros espessos de cimento
Meu céu azulado e livre
Quebre minha auto-estima em cacos
Aposte todas as fichas no meu fracasso
Seja o capataz
A me laçar as pernas enquanto corro,
meu algoz, a me ralar a pele.
Seja quem você é.
Deixe-me no pó da fogueira
Cinza esfumaçada.
Meu bem,
Só não se esqueça:
Todos esses tratos maus
são curáveis.
E me servem
Pra clarear a consciência.
Quando erguida,
A única coisa que não ressuscitará
Será você
Dentro de mim!
Carola Bitencourt
11/08/2011
Me rasgar a cicatriz
Vem me dar o tapa na cara
Por puro gostar da brutalidade
Vem amarrar minha mão ao santo
Vem me cuspir o pranto que jorrei
Traz meu verdadeiro pânico
Em forma de travesseiro
Pra acompanhar os sonhos que durmo
Vem saquear minhas boas lembranças
Corte minha carne cerebral flácida
A fim de expor minha fragilidade
Recrie o monstro debaixo da minha cama
Gargalhe da minha esperança
A ponto de ser o cristo vestido de demônio.
Sove minha sorte com galhos de azar
Corte as asas que acabei de sarar
Bloqueie com muros espessos de cimento
Meu céu azulado e livre
Quebre minha auto-estima em cacos
Aposte todas as fichas no meu fracasso
Seja o capataz
A me laçar as pernas enquanto corro,
meu algoz, a me ralar a pele.
Seja quem você é.
Deixe-me no pó da fogueira
Cinza esfumaçada.
Meu bem,
Só não se esqueça:
Todos esses tratos maus
são curáveis.
E me servem
Pra clarear a consciência.
Quando erguida,
A única coisa que não ressuscitará
Será você
Dentro de mim!
Carola Bitencourt
11/08/2011
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